Uma oferta pública inicial (IPO) é o processo através do qual uma empresa privada vende ações ao público pela primeira vez e passa a ser cotada em bolsa. Os investidores podem subscrever ações nessa fase ou comprá-las posteriormente no mercado secundário.
Uma oferta pública inicial (IPO) é o processo através do qual uma empresa privada vende ações ao público pela primeira vez e passa a ser cotada em bolsa. Os investidores podem subscrever ações nessa fase ou comprá-las posteriormente no mercado secundário.
Sempre que uma empresa privada decide “abrir o capital” e vender ações ao público pela primeira vez, está a realizar uma oferta pública inicial, mais conhecida pela sigla IPO, do Inglês “Initial Public Offering”.
É um dos momentos mais aguardados pelo mercado de capitais, tanto pela empresa, que passa a ter acesso a novas fontes de financiamento, como pelos investidores, que têm a oportunidade de comprar ações de um negócio que, até então, estava fechado ao público em geral.
Na XTB, onde ajudamos milhares de portugueses a investir, poupar e negociar nos mercados financeiros, este é um dos temas sobre os quais mais perguntas recebemos. Por isso, preparámos este guia para explicar o que é uma IPO, como funciona o processo até à entrada em bolsa e como um investidor de retalho pode participar.
O que é uma IPO?
Uma IPO é um processo através do qual uma empresa privada deixa de pertencer apenas aos seus fundadores, gestores e investidores iniciais (como capital de risco ou business angels) e passa a vender uma parte do seu capital ao público em geral, através de uma bolsa de valores.
Depois da IPO, as ações da empresa ficam disponíveis para serem compradas e vendidas livremente entre investidores no chamado “mercado secundário”, o que, na prática, corresponde à negociação diária que vemos numa bolsa de valores.
Historicamente, este tipo de operação não é propriamente recente: nos Estados Unidos da América (EUA), a primeira oferta deste género terá sido a do Bank of North America, por volta de 1783.
O que mudou ao longo dos séculos foi a escala, a regulamentação e a velocidade com que tudo acontece. Atualmente, uma IPO pode angariar dezenas de milhares de milhões de euros num único dia de negociação.
Eis algumas das principais razões que levam uma empresa a optar por uma oferta pública inicial:
- Acesso a capital fresco para financiar a expansão do negócio, reduzir dívida ou investir em novos projetos;
- Maior visibilidade e credibilidade junto de clientes, parceiros e potenciais talentos;
- Liquidez para os acionistas e fundadores, que passam a poder vender parte da sua participação;
- Uma referência de avaliação (valuation) do negócio, que pode ser útil em futuras aquisições ou fusões.
Como funciona o processo de uma IPO na bolsa
Perceber como funciona uma IPO ajuda a compreender porque é que este processo pode demorar vários meses e porque é que nem sempre corre como o mercado esperava.
De forma resumida, uma oferta pública inicial costuma seguir as seguintes etapas:
- Preparação interna: a empresa organiza as suas contas, reforça a governação societária e contrata bancos de investimento, advogados e auditores para apoiá-la no processo;
- Due diligence e elaboração do prospeto: realiza-se uma auditoria completa (financeira, legal e operacional) ao negócio e elabora-se o prospeto, isto é, o documento que reúne toda a informação relevante sobre a empresa e os termos da oferta;
- Aprovação regulatória: o prospeto é submetido ao regulador do mercado de capitais competente, que verifica se a informação está completa, é verdadeira e é apresentada de forma clara aos investidores;
- Roadshow e bookbuilding: a empresa e os bancos coordenadores apresentam o negócio aos investidores institucionais, recolhem indicações de interesse e, com base nessa procura, definem o intervalo e, depois, o preço final por ação;
- Subscrição: durante um período definido, os investidores (institucionais e, nalguns casos, também de retalho) podem submeter ordens de compra das ações que estão a ser colocadas no mercado;
- Admissão à negociação: no dia da estreia, as ações passam a estar disponíveis na bolsa de valores escolhida e podem, a partir daí, ser compradas e vendidas livremente no mercado secundário.
Quem regula uma oferta pública inicial em Portugal?
Em Portugal, qualquer oferta pública inicial está sujeita à supervisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que acompanha todo o processo, da aprovação do prospeto à entrada da empresa em bolsa.
Entre as suas competências, encontra-se a regulação das ofertas públicas, nomeadamente em que condições podem ser lançadas e aceites pelos investidores e que informação deve ser prestada sobre as mesmas.
Sem a aprovação do prospeto pela CMVM, a oferta não pode avançar e é precisamente esta verificação que dá ao investidor a garantia de que recebeu informação completa e fidedigna sobre a empresa antes de tomar qualquer decisão.
Depois da aprovação regulatória, segue-se a admissão à negociação na Euronext Lisboa (a bolsa de valores portuguesa), que faz parte do grupo pan-europeu Euronext, que também opera as bolsas de Paris, Amesterdão, Bruxelas, Dublin, Milão e Oslo.
É importante notar que a aprovação de um prospeto pela CMVM certifica que a informação divulgada cumpre os requisitos legais, mas não constitui qualquer garantia do sucesso futuro da empresa nem do desempenho das suas ações.
O que são ações de uma IPO e que tipos de oferta existem?
As ações de uma IPO são, simplesmente, os títulos que representam uma fração do capital social da empresa e que estão a ser colocados à venda pela primeira vez junto do público. Possuir uma ação significa deter uma pequena parte da empresa, com os direitos e riscos associados a essa posição.
Nem todas as ofertas públicas iniciais são iguais. A distinção mais relevante é entre:
- A oferta primária: a própria empresa emite novas ações para angariar capital. O dinheiro entra diretamente no fluxo de caixa da empresa e é normalmente utilizado para financiar o crescimento ou reduzir a dívida;
- A oferta secundária: os acionistas já existentes (fundadores, investidores de capital de risco, private equity) vendem parte da sua participação ao público. Neste caso, o capital não entra na empresa e vai diretamente para quem vendeu as ações.
Muitas IPO combinam as duas modalidades. É também comum haver um período de lock-up após a estreia em bolsa, durante o qual os acionistas anteriores à IPO (gestores, fundadores, investidores institucionais) ficam impedidos de vender as suas ações, normalmente entre 90 e 180 dias.
Quando este período termina, pode entrar no mercado uma quantidade significativa de novas ações, o que tende a aumentar a volatilidade do título.
Como investir numa IPO
Existem, essencialmente, duas estratégias para obter exposição a uma empresa que vai entrar em bolsa.
1. Subscrever uma IPO antes da estreia em bolsa
A primeira é participar diretamente na fase de subscrição antes de as ações começarem a ser negociadas no mercado aberto.
Ao contrário do que a cobertura mediática de algumas grandes IPO pode sugerir, o acesso de investidores de retalho a esta fase nem sempre está garantido.
Os bancos coordenadores tendem a privilegiar a alocação a investidores institucionais que costumam oferecer maior previsibilidade de procura, pelo que a disponibilidade para pequenos investidores acaba por depender da corretora escolhida, dos termos específicos de cada oferta e dos limites definidos pela própria empresa emitente.
É também por isso que iniciativas como o IPOgo da Euronext, que abordaremos mais adiante, surgem precisamente para alargar o acesso dos investidores de retalho a esta fase inicial.
Quando este acesso existe, o investidor submete uma ordem indicando quantas ações pretende adquirir no intervalo de preço comunicado; se a procura ultrapassar a oferta disponível, é comum haver um critério de rateio que distribui proporcionalmente as ações entre os interessados.
2. Comprar ações depois da estreia em bolsa
A segunda estratégia, e a mais acessível para a generalidade dos investidores de retalho, é comprar as ações diretamente no mercado secundário, depois de a empresa começar a ser negociada em bolsa.
É assim que, na prática, a maioria dos investidores particulares acede a empresas recém-cotadas, bastando para isso abrir uma conta de investimento junto de um intermediário financeiro, como a XTB, onde pode investir em mais de 7400 ações de mercados como os EUA, Portugal, Alemanha ou o Reino Unido, a partir de pequenas quantias.
Antes de decidir investir em ações de uma empresa recém-cotada, há alguns aspetos práticos a ter em conta:
- Disponibilidade do prospeto: vale a pena consultar o prospeto da oferta (disponível no site do regulador competente ou da própria empresa) para compreender o modelo de negócio, os riscos identificados e a estrutura acionista;
- Avaliação da empresa: o preço de uma IPO é definido com base no interesse manifestado pelos investidores institucionais durante o roadshow, o que não significa que reflita necessariamente o valor real do negócio a médio prazo;
- Histórico limitado: por definição, uma empresa recém-cotada não tem histórico de negociação em bolsa, o que dificulta a análise técnica e aumenta a incerteza quanto ao comportamento futuro do título;
- Volatilidade nos primeiros dias: é comum que o preço de uma ação oscile significativamente nas primeiras sessões de negociação à medida que o mercado ajusta as suas expectativas.
As vantagens e os riscos de investir numa oferta pública inicial
Como em qualquer instrumento financeiro, investir numa IPO tem potenciais benefícios, mas também riscos que devem ser avaliados com atenção antes de qualquer decisão.
Potenciais vantagens
- Acesso a empresas em fase de crescimento que até então estavam fechadas aos investidores de retalho;
- Possibilidade de diversificar a carteira com novos setores ou modelos de negócio;
- Maior transparência informativa a partir do momento em que a empresa passa a estar cotada, com divulgação periódica de resultados.
Principais riscos
- Falta de histórico de cotação, o que dificulta a avaliação de como a ação reage às diferentes condições de mercado;
- Possibilidade de o preço da IPO estar sobrevalorizado face aos fundamentais da empresa, sobretudo em períodos de grande procura;
- Maior volatilidade nas primeiras sessões e, mais tarde, pressão vendedora associada ao fim do período de lock-up;
- Risco de perda total ou parcial do capital investido, como em qualquer investimento em ações.
Não há qualquer garantia de que uma ação recém-admitida em bolsa valorize, nem mesmo se a procura inicial pela oferta for elevada. Por isso, cada decisão de investimento deve ser ponderada à luz dos seus objetivos financeiros, horizonte temporal e tolerância ao risco.
O panorama atual: IPO na Europa, a SpaceX e o caso Anthropic
Depois de alguns anos mais discretos no mercado de IPO a nível global, 2026 tem sido marcado pelo regresso de operações de grande dimensão e por um esforço europeu para tornar a bolsa mais acessível às PME.
Europa
A Euronext lançou recentemente o IPOgo, uma solução concebida para simplificar e acelerar o processo de entrada em bolsa de PME na Euronext Growth, com documentação simplificada e execução digital integral, no âmbito do encerramento da edição de 2026 do programa IPOready, que reuniu mais de 160 empresas de 22 países europeus.
Segundo dados citados pela própria Euronext, as empresas europeias que optam por se cotar na Europa têm superado as suas congéneres listadas nos EUA em termos de valorização no primeiro ano após a IPO, com uma diferença de desempenho de cerca de 40% a favor do mercado europeu.
SpaceX
Do lado norte-americano, o exemplo mais mediático do ano foi, sem dúvida, a SpaceX.
A 12 de junho de 2026, a SpaceX realizou a sua oferta pública inicial, tornando-se uma das maiores estreias em bolsa da história dos EUA, com as ações a passarem a ser negociadas na Nasdaq sob o ticker SPCX.
A empresa angariou cerca de 75 mil milhões de dólares (quase três vezes o recorde anterior detido pela Saudi Aramco) e, nas duas sessões seguintes à estreia, as ações valorizaram cerca de 30%, refletindo o forte interesse dos investidores.
Se quiser conhecer este caso com maior profundidade, incluindo o modelo de negócio e os principais concorrentes da empresa, preparámos um guia completo sobre como investir na SpaceX.
Anthropic
Poucos dias antes da estreia da SpaceX, a 1 de junho de 2026, outra empresa captou a atenção dos mercados: a Anthropic, criadora do assistente de inteligência artificial (IA) Claude, submeteu confidencialmente junto da SEC um rascunho do formulário S-1 para uma proposta de oferta pública inicial.
Este relatório dá à empresa a opção de avançar para a bolsa após a revisão da SEC sem ter de divulgar publicamente a sua informação financeira detalhada nesta fase.
A operação ainda não se concretizou (a própria empresa ressalvou que “dependerá das condições de mercado e de outros fatores”), mas o processo já está em curso. A janela mais provável apontada pela imprensa especializada é o outono de 2026, embora ainda não haja uma data oficial confirmada.
A empresa está avaliada em cerca de 965 mil milhões de dólares, um valor que, se se mantiver na abertura de capital, a colocará entre as maiores estreias em bolsa da história do setor tecnológico.
Como acompanhar e investir em ações de empresas recém-cotadas com a XTB
Depois de uma empresa concluir a sua oferta pública inicial e começar a ser negociada em bolsa, pode acompanhar a evolução das suas ações diretamente na plataforma da XTB.
Na janela Market Watch, é possível criar listas de favoritos com os títulos que pretende monitorizar e consultar cotações em tempo real.
Para cada ação, a plataforma disponibiliza gráficos com múltiplos indicadores de análise técnica, um feed de notícias integrado e um calendário económico, tudo no mesmo ecrã, sem necessidade de ferramentas externas. Pode ainda configurar alertas de preço para ser notificado quando uma ação atinge um determinado nível, sem ter de acompanhar constantemente o mercado.
Quanto às formas de investimento, a mais direta é comprar ações, que lhe conferem direitos de propriedade sobre uma parte da empresa, incluindo o direito a eventuais dividendos.
Tal como supramencionado, na XTB, pode investir em mais de 7400 ações de 14 mercados, com 0% de comissão até 100.000 EUR de volume de negócios mensal por conta.
Quem prefere uma abordagem mais diversificada pode também optar por ETF com exposição a setores ou índices, ou estruturar uma estratégia de investimento regular através dos planos de investimento da XTB.
Existe ainda uma terceira via, mais avançada e dirigida a investidores com maior tolerância ao risco: os CFD (contratos por diferença) sobre ações, que permitem especular sobre a subida ou descida do preço de um título sem deter a ação subjacente, incluindo a possibilidade de venda a descoberto e de negociação com alavancagem.
Antes de tomar qualquer decisão, vale a pena reforçar os seus conhecimentos sobre o tema, percebendo melhor, por exemplo, a diferença entre CFD e ETF ou consultando o nosso artigo sobre como negociar ações.
Como são tributados os ganhos com ações de uma IPO em Portugal
A venda com lucro de ações adquiridas numa IPO está sujeita a tributação em sede de IRS, na categoria G (mais-valias).
Caso não opte pelo englobamento, aplica-se uma taxa de tributação autónoma que pode ir até 28%, sendo que, desde junho de 2024, essa taxa pode ser reduzida em função do tempo de detenção do ativo. Os eventuais dividendos recebidos enquadram-se, por sua vez, na categoria E.
Em termos práticos e de forma resumida:
- Ações de empresas residentes em Portugal: as mais-valias e os dividendos são declarados no Anexo G do Modelo 3 do IRS;
- Ações de empresas estrangeiras (como é frequentemente o caso de IPO nos EUA): a declaração é feita no Anexo J do Modelo 3;
- Perdas (menos-valias): podem ser reportadas para os cinco anos fiscais seguintes, desde que opte pelo englobamento desse ano.
Como a XTB tem sucursal em Portugal, disponibiliza aos seus clientes um relatório anual com o detalhe das operações realizadas, facilitando o apuramento de mais e menos-valias e o cumprimento das obrigações fiscais.
Ainda assim, o apuramento final e a responsabilidade pelo correto preenchimento da declaração de IRS cabem sempre ao investidor.
Se quiser compreender este processo com mais detalhe, preparámos um guia completo sobre como declarar investimentos no IRS em Portugal.
FAQ
IPO é a sigla de “Initial Public Offering”. Em Português, o termo equivalente é “oferta pública inicial”, que é o processo através do qual uma empresa privada vende ações ao público pela primeira vez e passa a estar cotada numa bolsa de valores.
O processo passa, em geral, pela preparação interna da empresa, pela realização de auditorias (due diligence), pela elaboração e aprovação do prospeto junto do regulador competente, por um roadshow e um processo de bookbuilding para definir o preço, pela fase de subscrição e, por fim, pela admissão à negociação em bolsa, quando as ações passam a ser transacionadas no mercado secundário.
Pode tentar participar diretamente na fase de subscrição, se esta opção estiver disponível para investidores de retalho através da sua corretora, ou aguardar pela estreia em bolsa e comprar ações no mercado secundário através de uma conta de investimento, como a da XTB.
Os riscos incluem a falta de histórico de cotação da empresa, a possibilidade de o preço estar sobrevalorizado face à procura inicial, a maior volatilidade nas primeiras sessões de negociação e o risco de perda total ou parcial do capital investido, como em qualquer investimento em ações.
Os ganhos (mais-valias) obtidos com a venda de ações são tributados em sede de IRS, na categoria G, com uma taxa autónoma que pode ir até 28%, podendo ser reduzida consoante o tempo de detenção do ativo. As ações de empresas estrangeiras são declaradas no Anexo J, e as de empresas residentes em Portugal, no Anexo G do Modelo 3.
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